Quem foi Raúl Prebisch

 

 


 












O economista argentino Raúl Prebisch (1901–1986), um dos maiores intelectuais latino-americanos da segunda metade do século XX, é apontado como personagem central na construção de uma visão latino-americana de desenvolvimento econômico. Muitas de suas idéias, mais de 20 anos após sua morte, continuam bastante atuais, razão pela qual o BDMG resolveu revisitar alguns de seus pensamentos.

“Prebisch foi um visionário da importância da integração econômica entre os países da região”, afirma o presidente do BDMG, Paulo Paiva. Ele ressalta, porém, que, ao organizar um seminário para revisitar Raúl Prebisch, o BDMG não pretende, com isso, olhar para o passado. “Ao contrário. Raúl Prebisch foi um homem do seu tempo e, para entender seu pensamento, é preciso contextualizá-lo. Mas muitas de suas idéias continuam atuais. O que pretendemos é, à luz do seu pensamento, identificar um novo receituário que possa ajudar no desenvolvimento dos países latino-americanos”, assinala.

Algumas idéias do argentino que continuam na pauta de discussão do desenvolvimento econômico:

 
 


Integração regional
– Prebisch pregava a integração econômica entre os países latino-americanos como forma de impulsionar o crescimento regional. Ele defendia o estímulo do comércio intra-regional não somente para ampliar o comércio, mas também para fortalecer blocos econômicos que poderiam ter voz mais forte nos fóruns internacionais. Mas o economista também defendia a integração entre a teoria, a formação de instituições e formulação de políticas ou, em outras palavras, a integração de um pensamento latino-americano. Graças a Prebisch, a América Latina talvez seja a única região de países em desenvolvimento que tem uma escola de pensamento econômico, a chamada “escola cepalina”, nascida na Cepal, que ele ajudou a criar.

Progresso tecnológico – Raúl Prebisch tinha a convicção de que a incorporação dos avanços tecnológicos se faz de maneira desigual entre os países, o que provoca não somente impactos internos, mas também efeitos nas relações entre as nações da região. Aqueles que não conseguem incorporar os avanços tecnológicos têm ganhos de produtividade diferenciados, o que afeta de forma diferente os preços relativos e as taxas de crescimento das economias. Resulta, portanto, em crescimento desigual entre os países. Provavelmente mais do que no tempo de Prebisch, a tecnologia pode ser hoje uma fonte de exclusão social e de separação entre os países.

Desequilíbrios internos – Raúl Prebisch percebeu, na década de 70, que desequilíbrios internos, como debilidade institucional e desigualdades sociais, eram também fatores que inibiam o crescimento. Daí a importância que ele passou a dar ao comércio externo como via de crescimento da economia. Nessa época, ele passou a defender o processo de abertura econômica.

Outra característica de Prebisch era sua capacidade de construir instituições, todas elas fundamentais para o desenvolvimento socioeconômico da América Latina. Primeiro, ele criou o Banco Central da Argentina, onde foi gerente-geral (1930–1943). Em 1948, criou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), da qual foi secretário-executivo (1950–1963).

Depois, criou a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), onde foi o principal executivo (1963–1968), e o Instituto Latino-Americano de Planejamento Econômico e Social, organismo que também dirigiu entre 1969 e 1971. Na segunda metade dos anos 50, participou da criação da Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC), que, mais tarde, transformou-se em Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).